quarta-feira, 13 de abril de 2011

A importância econômica dos fungos.

A importância econômica dos fungos pode ser avaliada tanto pelos benefícios quanto pelos danos causados. Por exemplo, a mesma levedura (Saccharomyces) que causa a fermentação da cana para a produção do álcool etílico, pode fermentar o melado, que seria utilizado como fonte de alimento, tornando-o impróprio para o consumo, além de produzir gás carbônico, que com o aumento da pressão, acaba danificando o recipiente.

Fonte:Google


Saccharomyces cerevisae

1. Os fungos como fonte de alimentos.

a) Cogumelos ou champignons. O ramo que está em expansão no Brasil é o cultivo de corpos de frutificação de algumas espécies do gênero Agaricus e do gênero Boletus como fonte de alimento, ou a utilização de micélios desses e de outros fungos (gêneros Morchella e Tricholoma) como concentrados protéico-vitamínicos.

Fonte:Google

A utilização direta de fungos como fonte de alimento é altamente rentável. Compare: um boi pesando 500Kg produz por dia 0,5Kg de proteínas; 500Kg de soja, 50Kg de proteínas; 500Kg de leveduras, 50.000Kg, resultante da sua rápida reprodução neste mesmo dia.

Outro fator positivo para o cultivo de fungos é que esses possuem uma gigantesca plasticidade em relação ao meio em que se desenvolverá. Além de substratos conhecidos compostos por hexoses e pentoses, devido ao seu aparato enzimático, substratos como lignina, celulose e hemicelulose, pectina, líquido sulfítico – proviniente da indústria de polpa de papel -, parafina com 9 carbonos (degradada pela ação do Torulopsis famata), 11 a 18 átomos de carbono (Candida zeylanoide) e de 20 a 22 carbonos(Candida intermedia) podem ser usados para o desenvolvimento de fungos.

Esse aparato enzimático que possibilita a sobrevivência no mais variados ambientes é valorizado pela industria química, pois dele se extrai direta ou indiretamente sacarase, lactase, glicerina, griseofulvina, giberinas e ácidos, como o ácido cítrico, ácido glicônico, ácido itacônico.

b) Fabrico do pão. O CO2 utilizado na panificação para deixar a massa mais aerada, leve – devido a diminuição da densidade, resulta da fermentação, respiração anaeróbia, de leveduras presentes nos fermentos. A levedura que faz esse processo (geralmente Saccharomyces cerevisiae) é selecionada para ser mais eficiente, não produzir metabólicos tóxicos e conferir a massa gosto e aroma característicos.

c) Alimentação de origem oriental. Esses organismos tem um enorme peso na indústria alimentícia oriental, visto que produtos como o Shoyu, Misso, Sufu, Tempeh, Ontjom, Ragi, Ang-Kak são dependentes direto da ação desses organismos.

d) Maturação de carnes e produção de queijos. A indústria alimentícia ocidental também se utiliza de fungos para a maturação de carnes, como é o caso de alguns tipos de salame, produção de queijos como o Azul, o Roquefort e Gorgonzola (geralmente sob a ação do Penicillium roquefortii), Camembert (Penicillium camembertii).

e) Na agricultura. Na agricultura os fungos possuem um importantíssimo papel que é a formação de Micorrizas, que podem aumentar a produtividade agrícula. O fungo é heterótrofo e necessita de alimentos (compostos orgânicos), que é incapaz de sintetizar, enquanto planta, por exemplo um eucalipto ou pinheiro, é um ser autótrofo que necessita, para sua fotossíntese, de compostos inorgânicos, no caso principalmente água e compostos com fósforo.

Allen (1991) definiu micorriza (do grego mykes = cogumelo ou fungo e rhiza = raiz) como um mutualismo entre uma planta e um fungo localizado nas suas raízes no qual a energia move-se primariamente da planta para o fungo e recursos inorgânicos movem-se do fungo para a planta. O termo micorriza (Frank, 1885) denomina uma associação altamente especializada entre raízes e certos fungos do solo. Essas associações melhoram a capacidade de absorção e utilização dos nutrientes, de absorção de água, de tolerância a condições desfavoráveis do solo (Wilkins, 1991) e de resistência a microrganismos patogênicos ou deletérios (danosos).
2. Fermentação alcoólica.
A maioria dos fungos faz fermentação e essa por sua vez é alcoólica, produzindo álcool etílico e gás carbônico (CO2). Duas das bebidas mais populares do mundo, o vinho e a cerveja, contam com uma "mãozinha" dos fungos no processo de fabricação. O vinho é feito a partir de uvas. Extrai-se o suco da fruta e misturam-se levedos, um tipo de fungo. Os levedos alimentam-se do açúcar da fruta e produzem gás carbônico e álcool etílico – processo chamado fermentação. É isto o que dá o teor alcoólico da bebida. O mesmo acontece na cerveja. A diferença é que, em vez da uva, o alimento dos levedos é o açúcar do malte. O açúcar do milho produzirá álcool de cereais e o do arroz produzirá o saquê.
3. Produção de medicamentos.
O fungo Penicillium notatum é muito útil ao homem. Ele produz a penicilina, um antibiótico usado para combater infecções causadas por bactérias. O primeiro médico a descobrir o uso da penicilina foi o inglês Alexander Fleming em 1928, fato que revolucionou a medicina da época. Interessante foi como se deu essa descoberta: Fleming estava pesquisando microorganismos e deixou uma cultura de bactérias numa placa de vidro para observar o seu desenvolvimento. Chegou a sair de férias por alguns dias e, quando voltou, percebeu que as bactérias não tinham se desenvolvido como esperava. Notou que um tipo de fungo havia aparecido e estava se alimentando dessas bactérias.
Era o primeiro passo para a produção dos antibióticos. Graças a seus estudos com fungos, Fleming ganhou o Prêmio Nobel de Medicina em 1945. Fleming não é o único herói desta história. Foram dois pesquisadores da Universidade de Oxford, Howard Florey e Ernst Chain, que conseguiram em 1937 purificar a penicilina, uma etapa importante para seu uso mais seguro em seres humanos. Nos Estados Unidos, pesquisadores multiplicaram a produção, até então era feita em pequenas garrafas, para uma escala industrial em grandes tanques especiais. A partir de 1940, o medicamento passou a ser aplicado com injeções. Logo a penicilina estava ao alcance de todos e a preços cada vez menores. Uma revolução na Medicina que salvou milhões de vidas.
4. Aspectos negativos.
1. Aspectos negativos que poderiam ser citados, além da deterioração de alimentos e materiais, pragas como ferrugem, que é uma fitapatologia causada por basidiomicetes geralmente da classe Teliomycetes que já foi descrita por Plínio no século I sendo “a maior praga das culturas”.

2. Micoses que acometem animais de interesse econômico, como o caso de bois, aves e peixes, são geralmente dos gêneros Microsporum, Trichophyton, que causam diminuição da taxa de reprodução, diminuição do ganho (e até perda) de peso, queda da produção de ovos e nos casos mais graves tem-se a necessidade de sacrificar o animal ou esse acaba morrendo, como ocorre quando carpas são infectadas por Saprolegnia hoferi.

3. Um outro exemplo prejudicial a agropecuária é quando as pastagens ficam infectadas por Sphacelia que se associa a gramíneas. O vegetal nada sofre, mas o gado ao comê-lo, acaba ingerindo alcalóides que tornam o gado letárgico, febril, havendo diminuição da produção de leite, do ganho de peso e da fertilidade; pode haver gangrena e morte.


Fontes:
http://www.biota.org.br/pdf/v1cap11.pdf
http://www.ciencia-shop.com.br/shop/especial/mat178.asp
http://curlygirl.no.sapo.pt/fungi.htm
http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./biotecnologia/index.html&conteudo=./biotecnologia/artigos/fungi.html
http://www.agronline.com.br/artigos/artigo.php?id=122
http://novaescola.abril.com.br/ed/109_fev98/html/setembro.htm
Griffin, D.H. (1993) Fungal Physiology. 2nd Ed. Wiley-Liss. A John Wiley &Sons, Inc., Publication. New York. USA.
Prescott, L.M., Harley, J.P., Klein, D.A. (1994) Microbiology. 2nd Ed. Wm. C. Brown Publishers. Dubuque
PELCZAR, M. J.; REID, R. & CHAN, E.C. 1981. Microbiologia. Volumes I e II. tradução de Manuel Afolphe May Ferreira; revisora técnica Maria Regina S. Borges, McGraw-Hill do Brasil, São Paulo,566p.

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